terça-feira, 29 de junho de 2010

Viva "La Copa" ...meus queridos, na África do Sul

Embora lá Portugal... conta apartir de hoje!!!





























...prima Gladiz, primos Leonel e Luís e priminhos Carina e Marco!!!

domingo, 27 de junho de 2010

Nasci no Deserto do Saara, sem documentos...

...não sei a minha idade.

Nasci no Deserto do Saara, sem documentos.

- Nasci num acampamento dos nómadas tuaregs entre Timbuctu e Gao, a norte do Mali.

Fui pastor de camelos, cabras, cordeiros e vacas de meu pai.

Hoje estudo gestão na Universidade de Montpellier.

Estou solteiro. Defendo os pastores tuaregs. Sou muçulmano, sem fanatismo.

-: Que turbante tão famoso!

- É uma fina tela de algodão: permite tapar o rosto no deserto e continuar a ver e a respirar através dele.

-: É de um azul belíssimo...

- Nós, os tuaregs, somos chamados homens azuis, por isso mesmo. O tecido liberta alguma tinta e a nossa pele adquire tons azulados.

-: Como conseguem esse tom de azul anil?

- Com uma planta chamada indigo, misturada com outros pigmentos naturais. Para os tuaregs o azul é a cor do mundo.

-: Porquê?

- É a cor dominante: é a cor do céu, do tecto da nossa casa.

-: Quem são os tuaregs?

- Tuareg significa "abandonados", porque somos um velho povo nómada do deserto, solitários e orgulhosos: "Senhores do Deserto", é como nos chamam. A nossa etnia é amasigh (bereber), e o nosso alfabeto, o tifinagh.

-: Quantos são?

- Uns três milhões, e a maioria permanece nómada. Mas a população diminui. "É preciso que um povo desapareça, para que saibamos que ele existiu!" - apregoava um sábio. Eu luto para preservar esse povo.

-: A que se dedicam?

- Pastoreamos rebanhos de camelos, cabras, cordeiros, vacas e asnos num reino de imensidão e de silêncio.

-: O deserto é realmente tão silencioso?

- Quando se está sozinho naquele silêncio, ouve-se o batimento do próprio coração. Não há lugar melhor para se estar sozinho.

-: Quais as recordações da sua infância que conserva com maior nitidez?

- Desperto com a luz do sol e ali estão as cabras de meu pai. Elas dão-nos leite e carne, nós levamo-las aonde hé água e pasto... Assim fizeram o meu bisavô, o meu avô e o meu pai... e eu. Não havia outra coisa no mundo além disso. E eu era muito feliz com isso.

-: De facto!... Mas isso não parece muito estimulante...

- Mas é muito! Aos sete anos já me deixaram afastar do acampamento para que aprendesse coisas importante: farejar o ar, escutar, apurar a vista, orientar-me pelo sol e pelas estrelas... E deixar-me levar pelo camelo, se me perdia. Ele nos leva aonde há água.

-: Saber isso é valioso, sem dúvida...

- Ali tudo é simples e profundo. Existem muito poucas coisas. E cada uma tem um enorme valor!

-: Então este mundo e o vosso são muito diferentes, não são?

- Ali cada pequena coisa te proporciona felicidade. Cada toque é valorizado. Sentimos uma enorme alegria pelo simples facto de nos tocarmos e estarmos juntos. Ali ninguém sonha em chegar a ser, porque cada um já o é!

-: O que mais o chocou na sua primeira viagem à Europa?

- Ver as pessoas a correr pelo aeroporto. No deserto só se corre quando vem uma tempestade de areia... Assustei-me é claro!

-: Eles apenas iam buscar as suas malas...

- Sim! era isso. Também vi cartazes de mulheres nuas. Perguntei a mim próprio: porquê esta falta de respeito para com a mulher?... depois no Íbis Hotel, vi a primeira torneira da minha vida, vi a água a correr e senti vontade de chorar...

-: Que abundância! Que desperdício! Não era?

- Todos os dias da minha vida consistiam em procurar água. Quando vejo as fontes ornamentais aqui e acolá, continuo a sentir por dentro uma dor tão intensa...

-: Tanto assim?

- Sim! No começo dos anos 90 houve uma grande seca. Morreram os animais e nós adoecemos. Eu tinha 12 anos e a minha mãe morreu. Ela era tudo para mim!... Contava histórias e ensinou-me a contá-las muito bem... Ela ensinou-me a ser eu próprio!

-: O que sucedeu com a sua família?

- Convenci meu pai que me deixasse ir à escola. quase todos os dias caminhava 15 km. Até que um dia o profesor arranjou-me um lugar para dormir e uma senhora dava-me de comer quando eu passava em frente da sua casa. Entendi que essa ajuda vinha de minha mãe.

-: De onde veio esse desejo de estudar?

- Há anos, passou pelo nosso acampamento o rally Paris-Dakar e uma jornalista deixou cair um livro da sua moxila... Eu apanhei-o e entreguei-lho. Ela deu-me de presente. - Era um exemplar de "O Principezinho" e eu prometi a mim mesmo que um dia conseguiria lê-lo.

-: E conseguiu.

- Sim! Foi assim que consegui uma bolsa de estudo em França.

-: Um Tuareg na Universidade!

- Ah, do que mais sinto falta aqui é do leite de camela... E do calor da fogueira e de andar com os pés descalços na areia quente. - Lá nós olhamos as estrelas todas as noites e cada estrela é diferente das outras como cada cabra é diferente. - Aqui, à noite, você olha para a TV!

-: Sim! e o que acha pior aqui?

- Vocês têm tudo, mas acham insuficiente... Vocês queixam-se. Na França passam a vida a reclamar! Ficam escravos, para o resto da vida, de uma dívida bancária, num desejo de possuir tudo rapidamente... No deserto não há congestionamentos e você sabe porquê? - porque lá ninguém quer ultrapassar ninguém.

-: Conte-me um momento de extrema felicidade no seu deserto distante.

- Todos os dias, duas horas antes do pôr do sol: a temperatura desce, mas ainda não é o frio, e os homens e os animais, lentamente voltam para o acampamento e seus perfis são recortados por um céu cor de rosa, azul, vermelho, amarelo, verde...

-: Fascinante, na verdade...

- É um momento mágico... - entramos todos na cabana e colocamos o chá para ferver. Sentamo-nos em silêncio, a ouvir a ebulição... - a calma invade-nos a todos e o nosso coração bate ao ritmo do rumor da fervura...

-: Que paz!

- AQUI VOCÊS TEM RELÓGIO ...LÁ TEMOS O TEMPO!

- VOCÊ TEM O RELÓGIO, EU TENHO O TEMPO...

- Na nossa vida o tempo não deve ser apenas o que é marcado pelo relógio. - Quantas vezes, em cada dia nos falta "O TEMPO"?

O tempo é como um rio.

Não podemos tocar a mesma água duas vezes,

porque a água que passou, não passará de novo...

Entrevista realizada por: Victor-M. Amela a: Moussa Ag Assarid - música: Lawrence de Arabia

Carlos Botto

domingo, 13 de junho de 2010

Toquei para ...Meus Amigos de Benguela

Convivendo com alguns Amigos...


A Minha Banda...

...com a magia da nossa música - ÁFRICA

Tranquilidade... BENGUELA

Acácias...




Carlos Botto