quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Escola de Música


Já se encontram os videos 1 e 2, com a 1ª. Lição de aulas de orgão, no blog da Escola.


Carlos Botto

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um conto ...de Lígia Guerra


Certa vez, conheci a Aninha, uma menina linda de 9 anos que acompanhava a mãe em um trabalho de voluntariado que acontecia todos os sábados à tarde. Na época eu era a responsável pela turma entre os 8 e 11 anos que havia se inscrito no grupo de "valores de cidadania".

A Aninha era uma das alunas da turma. Eu procurava sempre criar actividades que envolvessem e motivassem aquelas crianças a buscar mais que uma cesta básica nos sábados, tentando resgatar o que havia de melhor dentro de cada uma delas. A Aninha chamava muito a minha atenção pelo seu incrivel talento pelo desenho. Mesmo com pouca idade ela conseguia desenhar o rosto das pessoas, reproduzir imagens e também criar muitas delas. Ela era muito tímida, mas nunca deixava de cumprir as tarefas solicitadas.

Certo dia solicitei que eles fizessem uma tarefa, em casa, para apresentar no nosso próximo encontro. Pedi que desenhassem a si mesmos exercendo uma profissão no futuro. Os desenhos foram bastantes criativos e variados: eles se desenharam como professores, bombeiros, médicos, astronautas, pedreiros, militares, jogadores de futebol e trapezistas de circo. Cada um deles explicava como se imaginava atuando profissionalmente. foi quando chegou a vez da tímida Aninha: ela havia se desenhado como semeadora.

A turma sem entender nada, começou a rir dela. Quando eu perguntei a ela como seria o seu trabalho como semeadora, ela respondeu da seguinte forma:

- Quando eu for semeadora, passearei pelos bairros da minha cidade arremessando sementes diferentes... Nas casas em que as crianças forem espancadas pelos pais, eu vou semear amor. Nos lares em que faltar comida, eu semearei alimento no quintal. Nos hospitais eu vou semear saúde. Nos orfanatos eu vou semear alegria. Na minha casa, onde falta tudo, comida, cama, remédio e telhado, eu vou semear uma árvore bem alta, para poder subir nela e chegar até ao céu e conversar com Deus. Vou pedir que Ele não se esqueça mais da gente.



Quando a história da Aninha terminou, percebi o silêncio de toda a turma. A princípio eram 19 crianças rindo dela. Depois da história da semeadora, eram 19 crianças emocionadas.



Depois daquele dia, conversei com os responsáveis pelo voluntariado e conseguimos realizar um trabalho mais próximo das famílias. Além das cestas básicas, angariamos mais parceiros para ajudar de forma mais eficaz todas aquelas carências materiais.

A semeadora Aninha começou a realizar a sua profissão ali mesmo, naquele dia. Alguns anos se passaram e a Aninha mudou de cidade. A última notícia que recebi é que ela estava a estudar serviço social. Essa foi a sua forma de se tornar uma semeadora.



Escrito no seu livro O Segredo dos Invejáveis.



Um conto cheio de virtuosismo, que nos "desalpila a alma".

Carlos Botto

"O Segredo dos Invejáveis" de Lígia Guerra


Tive o previlégio de receber este livro, que me foi oferecido pela minha amiga Lígia Guerra, escritora e psicóloga.

Uma obra rica da condição humana, pois ele nos transmite um diálogo com as nossas próprias emoções. Sentimos através dele a força necessária para enfrentar grandes desafios e muito, das situações dificeis da vida com fé e coragem, vivendo assim com Deus e com o Mundo.

Muitos parabéns Lígia pela sua capacidade de nos ligar uns aos outros.



Aconselho a todos os meus amigos...

http://www.ligiaguerra.com/
http://ligiaguerra.blogspot.com/




Carlos Botto

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Benguela minha, no tempo...

Gigliola Cinquetti - Non Ho L'Età

...sempre que a ouvia, sonhava!

Benguela ...anos 60 - saudades

domingo, 11 de outubro de 2009

O Cantar da Noite ...de Carlos Botto

Uma das minhas composições nos anos 90, inspirada na natureza da noite e apresentado neste "clip de video" com algumas imagens cedidas gentilmente por Frederico Lobo da sua galeria de arte.

Carlos Botto

A Magia da Água


... A água corre em riacho,
Por afluentes vai-se juntando e formando
No rio que se torna mais forte e glorioso,
Ao longo de sua caminhada, segue sorridente.

Surgem obstáculos, rápidos e cascatas,
Com rochas e pedras se depara.
Bate, bate tropeça e salta.
A água chora! ...mas vai em frente.

Ultrapassa e mais se fortalece.
Segue em direcção à foz
Procura espaço e liberdade.
Entra no mar e se encanta,
Estende seus braços fortes e cansados
E se mistura! ...suspira e volta a sorrir.


Setembro 1992 - Publicado no Youtube: A Magia da Água ...de Carlos Botto

Trio Áfrika "Morenita da Costa" ao vivo

O Trio Áfrika apresenta em estilo afro-latino, um dos temas de sucesso dos anos 70 do ÁFRICA TENTAÇÃO.---

Morenita da Costa - Trio Áfrika

Gravado em Agosto/09 - Carlos Botto

sábado, 10 de outubro de 2009

Passeios, desporto e lazer.

Um clássico do tempo...


O meu carro de "NASCAR"...



O meu carro desportivo "para competição"


Passos da minha vida...

Grupo Musical "Quinteto Angola" - Mário Jorge; Beto; Miguel; Nando; Botto; Zito; Carlos Lopes. = 1 9 7 6 = Sta. COMBA DÃO - Portugal


Elementos e amigos do "Agrupamento S" = 1 9 7 2 = LUANDA


" Agrupamento S " - Botto, orgão; Armany Jaccs (Sul Africano), guitarra solo; Fernando Duarte (Brasil), baterista e vocal; Rui Cunha, guitarra baixo e vocal; John Perez (Espanhol), guitarra ritmo. - LUANDA





A minha Bambi Vitória = 1 9 7 3 = LUANDA




Como foi: -

Quando eu era miúdo e estudava na academia de música, um pouco contrariado porque meu pai me obrigava. Mas logo a seguir comecei a evoluir e sonhava integrar um grupo musical. Completei o meu curso comercial e concorri para um dos maiores bancos portugueses em Angola e entrei. Mas eu sonhava para além de querer ser músico era ser um bom técnico de computadores. Fui fazer uma formação com curso de aptidão para computadores em NCR, primeiro como mecânico afim de poder dar assistência no nosso próprio banco, e depois como operador. Tudo isto oferecido pelo próprio banco sem nunca ninguém imaginar de que eu gostava.
Fui transferido para uma cidadinha chamada CUBAL e pouco tempo depois fui convidado para organizar e formar com mais alguns amigos, o conjunto Ferrovia do Cubal. Demos muitos shows e a nossa música era dos anos 60,s. Algum tempo depois passei a integrar o conjunto musical do Clube Recreativo. De seguida alguns anos mais tarde fui transferido para Luanda, esse era o meu sonho pois Luanda era a capital e eu não conhecia. Fui para técnico de computadores da NCR na nossa sede e convidado para integrar uma das grandes bandas da actualidade em Luanda "Agrupamento S" nunca soube o que significava o S. O meu sonho era também actuar num grande palco de cinema ou anfiteatro. Acabei por acompanhar o Nelson Ned e outro artista brasileiro muito em voga na altura Lindomar Castilho, com o meu grupo e outros musicos que os acompanhavam. Tudo isto desde os meus 16 anos até aos 21, altura em que fui chamado para o serviço militar. Depois com a revolução vim para Portugal, fui integrado no Banco Português do Atlântico na área de informática, mais outro curso de computadores porque o sistema operativo cá era IBM. Juntei-me com alguns músicos de africa e formamos o Quinteto Angola, perto de Santa Comba Dão onde morava o meu grande amigo Miguel “Barbeiro”, guitarrista de ELEIÇÃO. Eramos clientes assíduos da CP, pois todos os fins de semana eu e mais alguns elementos viajávamos para GUARITA, aldeia onde o grupo estava radicado. Passado algum tempo em 1977 terminamos o grupo e de regresso a Lisboa, conheço outros músicos e formamos o conjunto Africa Tentação grupo que teve vários sucessos musicais durante a sua época anos 70/80. Continuei a trabalhar no banco e na informática e fui convidado para participar no projecto do Grupo de Cordas do Atlântico, como pianista e ensaiador, até que este foi adquirido pelo MillenniumBCP e onde estou actualmente mas apenas com a função de músico e director técnico. Não era compativel estar no banco na informática e ao mesmo tempo na música e ainda por cima também com o meu grupinho Trio Áfrika que tanto gosto e estimo. A minha profissão sempre foi músico e compositor, dou aulas e tenho carteira profissional. Não sei bem porquê mas tive sempre uma certa relutância em aceitar a frase (empregado bancário). Talvéz porque antigamente estes se engalanavam e se envaideciam só com o título e se achavam de grande protagonismo.
Exercícios: Professor de música; músico e compositor; director técnico no grupo MilCordas do Millennium BCP; pianista do grupo MilCordas; director artístico do Trio Áfrika; teclista do grupo África Tentação.


Carlos Botto

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Fotos ...minhas - O convívio

...eu o Neto e o Peixoto, algures num jantar = 1 9 6 9 =

O 24º. aniversário do meu amigo Neto - Sala do Hotel Rodrigues

Jantar e convívio dos colegas e famílias do BCCI - 1 9 6 8 -


Fotos ...minhas - Casamento

Casamento da Helena Mendes com o meu amigo Neto = 1 9 7 0 =

...na conversa; Fernando Bate-Chapas, Helena e Neto

Fotos ...minhas - Posando com a Miss

Meus amigos: Neto, Sapatilhas, Maia, Virgilio ...
Helena Mendes - Miss Clube Recreativo do Cubal = 1 9 6 8 =

Fotos ...minhas - Conjunto Recreativo do Cubal

Conjunto Recreativo do Cubal - Miguel; Botto; Lito; Dudo; Carlos

Baile de Carnaval - Besuntados de PÓ TALCO - Botto; Cravide, percussionista de classe; Carlos Lopes; Dudo. = 1 9 7 0 =

Em exibição para os FÃS - Farffisa Compact Duo


Fotos ...minhas - POSES

Os amigos na "banda" - Sapatilhas, Marques, Moreira, Cabral e eu

Eu e o meu colega Marques, bem acompanhados

As meninas da "Banda" e Guey, Dudo e Botto muito atentos


Um clássico - Conjunto Ferrovia do Cubal

Um espectáculo clássico no Clube Recreativo do Cubal - =1 9 6 8 =

Maravilhoso coração, maravilhoso! "Conjunto Ferrovia do Cubal"

Um Quinteto de Jazz Café Concerto no Clube Ferrovia do Cubal = 1967
Carlitos Lopes, Paulista, Peixoto, Botto e Julio

Um conto... "a minha moto"



Uma história...
...Áka minino não fala mais assim não. Já está, já está... eu trazer os boi e agora eu levar os mota!
Quando eu estava no Cubal negociei numa fazenda distante a uns 60 kilómetros com o capataz, a troca da minha moto por oito bois. Primeiro o homem negro que era rico e que tinha muitas cabeças de gado, queria dar-me apenas 4 bois e eu pedi 12, ele não aceitou. Passado umas semanas quando lá voltei com o jeep do banco, para fazer a rotina da volta pelas fazendas para recolha do dinheiro, ele voltou a oferecer-me 4 bois e eu baixei para 10, ele não aceitou. Voltei la passado mais uns 15 dias e ele já me dava 6 bois e eu não aceitei. Com tudo isto passados uns tres meses ou quatro num dos dias que lá passei eu disse-lhe: olha, então queres a mota ou não queres? O minino quer 10 bois e não aceite 6 bois. Então eu virei-me para ele e disse-lhe: bom não são 10 nem são 6 se quiseres fica por 8 bois. e ele cabisbaixo resmungou e retirou-se, mas notava-se que estava mesmo apaixonado pela minha mota que era linda.
Ficamos assim por vários meses 2 ou 3.
Até que, numa bela manhã de Sábado por volta das 11h00 (ainda se trabalhava ao sábado até às 12h30), aparece-me à porta do banco um homem muito velhinho de cajado e um miudo aí dos seus 10 anos, os dois só de tanga e traziam amarrados pelos cornos e entrelaçados por cordas, os 8 bois de que tinha falado. Amarrou a corda às grades das montras do meu banco (BCCI) entrou de cajado e disse: é o minino dos mota ...eu vai levar os mota para o sr. Samuel capatáz.
Eu ripostei imediatamente pois já tinha programa feito para ir passear para a praia morena em Benguela e passar o fim de semana e não gostei nada de ouvir que me iam levar os mota!!!
Então disse-lhe: o quê, o quê, o quê vais levar o quê??! é pá tem mazé juizo! e vou para Benguela de quê???
O Velhinho que trazia os bois a pé desde a noite anterior sem dormir para fazer 60 kilómetros até ao Cubal muito calmamente em frente ao balcão imponente do BCCI e para todos os meus colegas ouvirem, disse: Áka minino não fala assim não. Já está já está, eu trazer os boi agora levar os mota, se não leva os mota eu não sair mais daqui até morrer! e sentou-se em pleno chão do átrio do banco. Ficamos todos mudos e calados apanhados de surpresa e os bois a zurrarem com fome e sede amarrados às grades.
O Meu gerente disse-me: olha Botto metes-te em cada uma! não há outra forma de se resolver tens mesmo que lhe entregar a mota senão ele não sai mais daqui são da tribo e cumprem as tradições da honra. Morre ele e morrem os bois.
Bom não tive outra alternativa, entreguei-lhe a mota que a levou a pé de volta mais 60 kil. acompanhado pelo garotinho que hoje tenho-o bem na minha memória era uma criança muito bonita e de traços finos e fico triste quando penso. Toda aquela viagem de mais algumas dez horas a pé a juntarem à outra que já haviam feito sem nada comerem e sem reclamarem, pois a mota era bastante pesada e eles não tinham idade para saber andar.
Os bois ficaram lá amarrados a uma àrvore pois eu não os tinha aonde pôr e no dia seguinte apareceu-me no meu hotel onde eu vivia, uns (sipaios) da guarda a dizer que eu tinha que resolver a mudança dos bois dali (isto era mesmo enfrente ao BCCI) e tinha que levá-los para a minha fazenda. Diziam eles; qual fazenda qual quê eu não tinha nada disso...

...continua outro
dia.

Uma época do tempo...

Cubal Amigo Extraído do album "Kissange Saudade Negra" do África Tentação, editado em 1984 e que marcou uma geração.

Uma composição de minha autoria inspirada nos momentos passados e dedicada aquela cidade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

...no tempo em que cresci, corri e pisei descalço.

Meus, no tempo... Dedicado aos meus muito queridos pais e irmãos, família e amigos, com música de minha autoria,, este bolero do África Tentação, gravado e editado no album com o título "Angola 79".
Carlos Botto