Eu e os amigos Bernardino e Quim (os Irmãos Salgueiros)

Eu e os meus amigos Frias e o Quim
Ainda me lembro de um miúdo de calções e chinelos nos pés
com um acordeon entre as mãos, sentado no beiral da porta de casa onde morava,
com um acordeon entre as mãos, sentado no beiral da porta de casa onde morava,
junto à linha do caminho de ferro e eu um miúdo também.
Quando por perto passava o via e ouvia com aqueles sons melodiosos,
eu dizia: ou se calhar pensava: Olha ali está o Carlos Manuel com o seu acordeon.
Hoje, verifico que saltámos por cima de uns tantos anos e que já não somos os mesmos.
Apenas a lembrança perdura. Já lá vai bastante tempo e como tal sempre nos modificamos,
mais ou menos, até irmos perdendo aquela beleza...
Que belo sentimento. Lembrarmo-nos de tempos idos sobretudo quando isso acontece no momento em que tivemos a sorte de alcançar uma elevação a partir da qual podemos olhar à nossa volta e buscar com a nossa vista o caminho percorrido.
Que belo sentimento. Lembrarmo-nos de tempos idos sobretudo quando isso acontece no momento em que tivemos a sorte de alcançar uma elevação a partir da qual podemos olhar à nossa volta e buscar com a nossa vista o caminho percorrido.
É tão agradável recordarmo-nos, vaidosos, de certos obstáculos que muitas vezes com um sentimentos que mete pena, considerámos como inultrapassável e compararmos àquilo que somos agora, já crescidos, com aquilo que éramos então... ainda por crescer!
...E o que éramos nós, senão crianças que ansiavam por ser adultos.
E afinal o que somos nós, senão pensamento...
Mas somos NÓS
Carlos Frias
